Quem ja passou por esta vida e não sofreu…

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São histórias diferentes, mas com alguma semelhança, a de Lula e de milhares de nordestinos que viajaram dias em paus-de-arara rumo ao “Sul Maravilha”. Muitos tinham como destino a capital paulista, mas a maioria seguia adiante, até o Norte do Paraná, onde o café estava no auge. Lula veio de Pernambuco para São Paulo, com a mãe, dona Lindu e mais 7 irmãos, em busca de uma vida melhor. Lá já estava seu pai, mas quando a família chegou em “Sumpalo”, o marido da guerreira Lindu já estava em outra relação e ela, traída, foi à luta para continuar sozinha criando os seus rebentos.

Sou também filho dessa diáspora nordestina, como retrato no livro Orelha de Jegue. Só quem viveu isso, sabe exatamente o que significou em toda a sua plenitude, o enredo que a escola Acadêmicos de Niterói levou para a Sapucaí. Tirando a circunstância do embate político, que às vezes chega às raias da irracionalidade, o samba foi um momento mágico de exaltação de uma saga, sofrida mas rica na contextualização de um momento histórico relevante. A despeito do rebaixamento, que tem sido comum acontecer com as escolas que sobem para o grupo de elite, me vi sim , representado em cada verso do samba DO ALTO DO MULUNGU SURGE A ESPERANÇA: LULA ,O OPERÁRIO DO BRASIL.

Bem, o mulungu é uma árvore nativa do agreste pernambucano, onde Lula viveu a infância. A árvore, tal qual a aroeira, simboliza a esperança e a resistência , mantendo-se verde e muito viva em meio à adversidade, ou seja, em meio a longos períodos de seca.

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