
Salada indigesta de uma sucessão
Quem é o candidato de Ratinho Jr, Guto Silva, Alexandre Curi ou Rafael Greca? E ele, Ratinho, será candidato ao Senado ou à presidente da república? O Flávio (Rachadinha) Bolsonaro se impacientou e declarou apoio explícito a Sérgio Moro, que depois de levar um chega pra lá de Ricardo Barros, deve sair do União Brasil e embarcar na canoa do PL de Waldemar Costa Neto, que ele já detonou várias vezes, classificando-o de um dos grandes corruptos da política brasileira.
Moro ainda lidera a campanha pra governador do Paraná e por isso, e não só por isso, será tábua de tiro ao alvo dos adversários, principalmente por causa do rosário de denúncias contra sua atuação como juiz da Lava Jato, que pousaram em um dossiê protocolado no STF por Tony Garcia. A disputa pelo Palácio Iguaçu este ano promete.
Uma vez Nordeste, sempre Nordeste
Quando eu cheguei ao Norte do Paraná no início dos anos 60 aqui o nordestino era discriminado e sofria o que só agora se conhece como bullying. Curiosamente, todos os nordestinos eram chamados pejorativamente de baianos, fossem de onde fossem – de Pernambuco, Ceará , de Alagoas ou da Paraíba.
Anos depois, já na década de 80, o advogado, jornalista e escritor Laércio Souto Maior, pernambucano de Caruaru, publicou um livro com o título provocador “São os Nordestinos uma Minoria Racial ?”. Para o tipo de xenófobo caboclo do Sul e do Sudeste do país, parece que sim, somos uma minoria racial. O que a elite brasileira e a classe média metida a besta não perceberam ainda é que o Nordeste mudou. Mudou de patamar econômico, porque histórica e culturalmente é a região mais iluminada do país desde Cabral.
O Nordeste hoje é uma região promissora, produtiva e a despeito da seca, sempre pronta a oferecer os melhores indicadores econômicos para o crescimento da economia brasileira. No turismo, então, é incomparável. E o que dizer do campo das letras e das artes? Alguém em sã consciência discordaria da importância para a cultura nacional, em todos os tempos, de figuras como Jorge Amado , Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Wagner Moura, Ariano Suassuna e Graciliano Ramos?
O Brasil é o Brasil brasileiro, o mulato inzoneiro de Ary Barroso, o país do samba, do axé, do shot , do vanerão , do sertanejo raiz, do maxixe e do baião. É o Brasil de irmã Dulce, de Dom Helder, de Herzog, de Pelé, de Rui Barbosa, de Dr. Ulysses. É o Brasil de Milton e de Nilton Santos, é o Brasil de todos os santos e de todos os encantos. Somos uma nação e portanto, não queiram dividi-la pelo ódio ideológico e pela imbecilidade que volta e meia tenta sequestrar o nosso verdadeiro patriotismo em nome de uma defesa infundada de costumes, tão falsa quanto nota de 3 reais.
De volta
Por problemas no sistema de postagem fiquei fora do ar uns dias, mas estou de volta à rotina.
Dois pesos e duas medidas
O novo relator do Caso Master no STF , André Mendonça, quebrou o sigilo bancário e telemático de Lulinha e decretou silêncio sobre o pastor Zetel, livrando-o de depor na CPI do banco do cunhado dele, Daniel Vorcaro. Lembrando: Zetel é apontado como dos principais doadores de dinheiro para as campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Mendonça, lembremos, foi indicado para o STF pelo então presidente Bolsonaro, que o classificou na época de “terrivelmente evangélico”.
De acordo com o jornalista Henrique Rodrigues, da revista Fórum, a atuação do novo relator do Caso Master deixa claro que “ abalança da Justiça brasileira parece estar sofrendo de uma grave interferência em seu equilíbrio quando o assunto envolve o ministro Mendonça”. O caso de Lulinha é emblemático, porque sua relação de amizade com uma suposta envolvida com o “Careca do INSS”, virou motivo de devassa na vida privada do filho do presidente Lula. Me diz um advogado criminalista que “no direito, isso se chama ilação”.

A vitória passa por Minas
De acordo com anotação da articulista Letícia Casado, do portal UOL, “A última vez em que um candidato venceu a disputa pela Presidência da República sem ganhar em Minas Gerais foi em 1950, com Getúlio Vargas”.
Elianças que podem definir
Lula quer lançar Hadad, mas Hadad não pretende disputar o governo de São Paulo. O caminho é Simone Tebet. Se ela aceitar e o presidente costurar uma boa aliança no estado de maior colégio eleitoral do país, o atual governador e candidato a reeleição, Tarcísio de Freitas, pode ter desarranjo intestinal.
Da mesma forma, a candidartura de Rodrigo Pacheco para o governo de Minas e de Alexandre Kalil (ex-prefeito de Belo Horizonte) para o Senado, levará Romeu Zema e o bolsonarismo ao desespero.
Figuras tóxicas e radiotivas
Não existe nada pior do que um esquerdista que vira direitista. Aqui são dois – Aldo Rebelo e Ciro Gomes. Eles se tornaram figuras tóxicas e pela facilidade de verbalização que possuem, já atingiram o estágio da radiotividade.

Mosca na sopa
Ratinho Junior reassume o governo do Paraná, voltando de férias do Exterior e de cara vai se assombrar com a figura de Flávio Dino. Ocorre que o Ministro do STF, analisando ação de dois partidos de esquerda – o PT e o Psol, suspendeu o processo de privatização da Celepar, a instituição que controla as informações dos paranaenses, pessoas físicas e jurídicas. Só lembrando que a privatização da Copel, no governo de Copel foi privatizada no governo de Jota Erre Como diria o filósofo Prodamor Pereira Peixoto Penteado: “A rapadura é doce mas não é mole”.
