Quando o presidente Arthur Bernardes sancionou a lei das férias remuneradas na véspera do Natal de 1925, o mundo veio abaixo: o empresariado dizia que esse benefício concedido aos trabalhadores iria quebrar o país. 37 anos antes, houve a abolição da escravatura e a reação dos senhores de engenho foi ainda pior. Em 1932, Getúlio Vargas implantou a jornada de trabalho, que seria de 8 horas diárias e 48 horas semanais. Surgiu novamente o discurso de que a economia brasileira iria quebrar e haveria desemprego em massa. Por decreto, Vargas criou o salário mínimo em 1940. A mesma ladainha. Aí veio o 13º. salário, implantado por João Goulart em 1962. Novas previsões catastróficas. O que aconteceu? O 13º se transformou na salvação da lavoura, para empregados e empregadores, porque todo final de ano o comércio varejista bomba e injeta muito oxigênio na economia do país.
Agora estamos diante de uma nova polêmica. A grita de quem tem tempo de sobra para o descanso e o lazer é geral, enquanto dados oficiais mostram o estrago que a estafa mental, pelas excessivas jornadas vem provocando no mundo do trabalho. O fim da jornada 6 por 1 não pode ser considerado bandeira da esquerda. Cinco dias de trabalho por dois de descanso se insere no marco civilizatório e sem nenhuma dúvida, virá para impulsionar o desenvolvimento social do país. A pessoa que não enxerga a proposta do governo por esse ângulo é, no mínimo, obtusa. Pra não dizer estúpida.