Se o golpe planejado por Bolsonaro tivesse logrado êxito, haveria reação. Seria brasileiro contra brasileiro e uma guerra civil seria perfeitamente possível. Haveria, inevitavelmente, um banho de sangue no país. E aí Bolsonaro teria realizado o seu velho sonho, acalentado desde quando atuava na Câmara Federal como um deputado inexpressivo , de provocar a morte de pelo menos 30 mil brasileiros. Graças a Deus que o golpe não deu certo, embora tenha passado bem perto.
A reunião macabra do dia 5 de julho de 2022, agora revelada em vídeo capturado no HD do ex-ajudante de ordem Mauro Cid , é clara com relação ao plano golpista, que visava manter Bolsonaro do poder. Se o golpe não fosse possível via fechamento do Supremo e provavelmente do Congresso Nacional, com prisão de alguns ministros, prisão de Lula e outras lideranças políticas, os bolsonaristas partiriam para a violência. O banho de sangue, como plano B, geraria uma GLO e em seguida uma intervenção militar.
O plano fracassou, mas Bolsonaro e seus seguidores não desistiram. Mesmo com a vitória de Lula, mantiveram mobilizações na frente de quartéis do Exército em todo o país, e promovendo badernas e ameaças graves, como o quebra-quebra em Brasília, com incêndio em carros e invasão da sede da Polícia Federal no dia da diplomação de Lula e Alckmin; como o episódio da bomba embaixo do caminhão tanque que descarregaria 60 mil litros de querosene de aviação no aeroporto da capital federal e como o ápice das articulações criminosas do 8 de janeiro de 2023.
Por tudo isso é que a história ainda vai reconhecer que a democracia brasileira e milhares de vidas foram salvas graças a atuação firme e destemida de um careca chamado Alexandre de Moraes.