Lá se vão 20 e tantos anos que a Caixa Econômica inovou na propaganda, colocando um ator na fila da poupança. Quando a câmara se aproxima , ele diz a frase que deu margem a muitas interpretações: “Eu poupo na Caixa pra não morrer pé de chinelo”. No pé esquerdo , o sapato e no direito, de meia, um chinelo, justamente havaiana. Não sei qual era a agência mas certamente não é a mesma que agora fala das sandálias famosas, num comercial que tanto ofende a extrema-direita. Fosse outro ator ou atriz, talvez a reação não seria essa, enfurecida. Afinal, Fernanda Torres foi a estrela do filme “Ainda Estou Aqui”, que ganhou um Oscar, o primeiro da história do cinema brasileiro. A associação da imagem dela representando Eunice Paiva, mulher do deputado assassinado pela Ditadura Militar, Rubens Paiva, foi imediata. E não só reacendeu a paranoia anticomunista, como lançou sobre os ares de Brasília uma baita cortina de fumaça, para proteger os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, pilhados em montanhas de dinheiro, quase meio milhão no caso do pastor malafaiento.





