Ora, se a falta de regulamentação das redes sociais prejudica a democracia brasileira, facilitando ataques constantes às instituições, principalmente ao STF, é fácil entender o encantamento de Arthur Lira e Jair Bolsonaro por Elon Musk.
Messias
Bandido bom é bandido preso, né deputado?
Justiça seja feita: os dois representantes de Maringá atualmente na Câmara Federal (Sargento Fahur e Luiz Nishimori) votaram pela manutenção de Chiquinho Brasão na cadeia. Chega quase à metade os parlamentares que votaram pela soltura do mandante do assassinato de Mariele Franco. Esses, na interpretação do colunista Josias de Souza, do UOL, abraçaram o crime organizado. Pelo menos nesse caso, o do bigode, considerou o fato de que bandido bom tem que ficar na prisão e não no cemitério.
O sábio da floresta
“Um povo sem cultura não tem o que dizer.” “Predar uns aos outros é uma vocação primitiva do [Homo] sapiens, de querer levar vantagem, ganhar tempo, ganhar alguma coisa.” “O sapiens predador não é um dinossauro. Ele é um sujeito simpático, gentil, que vai à praia, gosta de sorvete, de açaí com granola. Mas não pode disfarçar sua vocação predatória.”
. Ailton Krenak , primeiro índio na história a fazer parte da Academia Brasileira de Letras
A lei do 30
Reza a lenda política no Paraná que, filiado à Arena, Horácio Vargas quase se deu mal ao apoiar o candidato do MDB à prefeitura de Ponta Grossa, em 1976. O partido se reuniu para expulsá-lo, mas na hora agá ele nem sequer foi admoestado. “Você tinha muito apoio?”, quis saber um repórter, intrigado. O político respondeu secamente: “38.” O repórter: “Votos?” Ele esclareceu: “38 cano longo, carga dupla…
. Claudio Humberto (Poder sem Poder)
Apenas um “até breve”
A ação contra o PL pelo descumprimento da cota feminina nas eleições proporcionais de 2020 não logrou êxito na primeira e nem na segunda instância da Justiça Eleitoral. Isso deixou o vereador Manoel Sobrinho tranquilo, relaxado. Mas quando o processo foi analisado monocraticamente no TSE pela ministra Carmem Lúcia, o PL perdeu a sua cadeira na Câmara Municipal de Maringá e já no último ano da atual legislatura , Sobrinho perdeu seu mandato. Agora no PSDB, o potiguara vai pra disputa em outubro, com chances reais de voltar ao poder legislativo maringaense em 2025, beneficiado pela popularidade que sempre teve e pelo aumento para 23 do número de cadeiras. “Me despedi da Câmara na sessão de hoje, mas não disse adeus, apenas um até breve” , comentou, quando o encontrei pontem à tarde caminhando pela Rua Néo Martins.

O cagadaço continua
O TRE do Paraná manteve o mandato do senador Sérgio Moro, por 5 a 2, mas tanto a coligação de partidos de esquerda que entrou com uma das ações quanto o Ministério Público Eleitoral irão recorrer da sentença junto ao TSE. Moro saiu sorridente do Tribunal Regional Eleitoral, o que é absolutamente natural. Mas com certeza está preocupado, porque basta lembrar que por motivos correlatos, o mesmo tribunal absolveu o ex-deputado federal Deltan Dallgnol por 7 a 0 e o pleno do TSE cassou o mandado dele por unanimidade. Como diria o Gaúcho da Fronteira: “O cagadaço vem de Brasília”.
Imunidade ou impunidade ?
A Câmara dos Deputados pode, centro das quatro linhas, anular a ordem de prisão emitida pelo ministro Alexandre Moraes contra Toninho Brazão, suspeito de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora carioca Mariele Franco. De acordo com o portal UOL, PP e União Brasil vão liberar suas bancadas para votar pela liberdade do deputado, o que significa abrir caminho para a nivelar imunidade parlamentar a impunidade do parlamentar. O mais grave de tudo isso é que a maioria direitista do Congresso Nacional segue sua marcha para enfraquecer a suprema corte, que bem ou mal, é um dos pilares da democracia.
Alho é alho, bugalho é bugalho
Elon Musk continua vociferando contra as decisões do ministro Alexandre de Moraes e desafiando o Supremo Tribunal Federal , com promessa de não obedecer as ordens de suspensão de perfis criminosos de sua plataforma, o X, antigo twitter. É uma clara afronta à soberania nacional do Brasil, que a ultradireita bolsonarista comemora como se Musk tivesse marcado um golaço para o time. Se há um culpado nessa história é o parlamento que há cinco anos engaveta o projeto do marco regulatório da Internet. Sem uma lei que regulamente as redes sociais, o Brasil continua permitindo que criminosos contumazes confundam liberdade de expressão com delinquência. E dessa forma, leva milhões de pessoas a confundirem alho com bugalho

RB trabalha para SB voar em céu de brigadeiro
A política é mesmo dinâmica, ainda mais nessa fase preparatória de formação de chapas para a disputa de uma eleição majoritária. Num quadro como esse, de tantos partidos e tantas ambições, o cenário muda quase todo dia e fica parecendo nuvens de verão, que apresentam uma figura diferente a cada vez que você olha para o céu, conforme já observava na década de 1960 o astuto político mineiro Magalhães Pinto.
Vamos ao caso presente de Maringá. Até dia desses tínhamos como certas as pré-candidaturas de Humberto Henrique, Silvio Barros II, Scabora, Do Carmo, Jacovós e Wilson Quinteiro, além das (mais do mesmo) candidaturas nanicas. As nuvens de verão se movimentam rapidamente e o cenário que mostravam ontem não era igual ao de tresontonte.
O que circulava nos bastidores da política local é que a candidatura do deputado delegado Jacovós ganhou musculatura nas últimas semanas, mas murchou de vez agora que Ricardo Barros entrou em cena para garantir a vitória do irmão Silvio. Mexendo com maestria (reconheçamos isso) as peças do tabuleiro de xadrez , RB teria convencido o ex-delegado de polícia a trocar sua candidatura a prefeito pelo asfaltamento da estrada da reeleição em 2026. E como bom enxadrista que é, RB, que trabalha sua candidatura ao Senado numa eventual cassação de Sérgio Moro, deu um jeito de colocar Wilson Quinteiro no PL, o partido do bolsonarista raiz Jacovós.
Obviamente, Quinteiro deixaria de ser não apenas um concorrente, mas um aliado de primeira hora, inclusive figurando na vice de Silvio Magalhães Barros II. E Ricardo, que se auto define como um político de resultado, prova mais uma vez a teoria de que política não é para amadores.
Moro poderá ter uma vitória de Pirro
O julgamento de Sergio Moro no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná foi suspenso hoje após novo pedido de vista . O placar estava em 3 a 1 pro réu quando a sessão foi interrompida para ser retomada amanhã. Faltam votar três desembargadores, mas há quem aposte que Moro deverá ter seu mandato cassado por 4 a 3 . Se não houver a virada, o Ministério Público recorrerá ao TSE.
Só lembrando: o ex-deputado Deltan Dallgnol, parceiro de Moro na Lava Jato e atualmente nos Estados Unidos vibrando com a zombaria de Musk pra cima da justiça brasileira, foi absolvido pelo TRE/Pr e teve o mandato cassado no TSE. Um analista político da capital cravou há pouco: “Moro pode vencer nesta terça-feira, mas por certo será uma vitória de Pirro”.



