O Conselho Universitário da Universidade Federal do Paraná cassou nesta segunda-feira os títulos de “doutor honoris causa” concedidos a três presidentes do regime militar. A distinção máxima de uma universidade é dada a pessoas que deram inequívocas contribuições científicas, intelectuais, acadêmicas, cultural e artística à sociedade. Os membros do COU da UFPR avaliaram, 60 anos depois do golpe, que Castelo Branco, Costa e Silva e Ernesto Geisel, já falecidos, não eram dignos da honraria.
Messias
No banco dos réus
Vai a júri popular nesta quinta-feira o assassino do petista Marcelo Arruda, morto quando comemorava com amigos e familiares seus 50 anos de idade em Foz do Iguaçu. O criminoso é o bolsonarista Jorge Garanho, que se irritou ao saber que perto de onde ele estava acontecia uma festa, tendo na decoração o PT e Lula como temática. O réu é denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil. É pena máxima na certa.
O Sr. de todos os apetites
Ricardo Barros mandou dizer em suas redes sociais que não tem nada a ver com o pedido de cassação do mandato de Sérgio Moro, mas que se a cassação vier ele está na área, pronto para disputar a vaga na eventual eleição suplementar. Barros é deputado federal, está secretário da Indústria e Comércio do governador Ratinho Júnior, mas de olho em uma das três cadeiras do Paraná no Senado da República. É fome de poder que não acaba mais.
Moro sai na frente
Está 1 a 0 pró Sérgio Moro o placar no TRE-Pr, que analisa a cassação do mandato do senador devido a abuso do poder econômico, na pré e na campanha propriamente dita. O voto favorável foi o do próprio relator do processo, Luciano Carrasco Falavinha. O julgamento será retomado amanhã, faltando 5 votos.
A posição do relator foi muito criticada pelos advogados dos partidos que entraram com a ação, começando por Bruno Cristaldi, do PL: “O voto do relator foi bastante complacente num ponto muito delicado, onde ele desconsiderou os gastos de uma campanha presidencial, como se fossem gastos que pudessem ser não computados por um abuso de poder econômico. Isso abre um precedente perigosíssimo de pessoas se candidatarem para um cargo com teto de campanha muito maior, sabendo que podem fazer um gasto que não vai ser computado por uma campanha seguinte”,
O advogado do PT, Luiz Eduardo Peccinin, foi mais incisivo: “Foi um voto que, para nós, é bastante equivocado em várias premissas. Eu acho que acaba aceitando muitas desculpas do Moro para apagar o caminhão de dinheiro que injetou na sua pré-campanha”. Só lembrando que Deltan Dallagnol foi absolvido por 6 a 0 no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e no TSE teve seu mandato de deoutado federal cassado por unanimidade.
Objeto da cobiça
Enquanto o julgamento de Sérgio Moro ocorre no TRE do Paraná, alguns políticos já se movimentam de olho na vaga que a eventual cassação abrirá no Senado. Entre esses políticos está o maringaense Ricardo Barros que, de acordo com Celso Nascimento do blog Contraponto, há dias trabalha “na miúda” para conquistar apoio. A possibilidade do ex-juiz ter seu mandato cassado por conta de caixa 2 na campanha que o elegeu em 2022 é muito grande. A sua vaga é mais cobiçada do que foi outrora a garota de Ipanema.
Ignorar celebrações, mas sem apagar a página
Há 60 anos a frágil democracia brasileira sofreu um duro golpe, que a deixaria agonizando por duas décadas. Foi, entre tantos, o golpe mais nefasto da nossa história. Os militares e a elite conservadora do país começaram a se assanhar com a renúncia de Jânio Quadros , 7 meses depois de assumir a presidência da república em 1961. Os militares fizeram o diabo e mais um pouco para evitar a posse do vice João Goulart, que quase teve abatido no espaço aéreo brasileiro o avião em que voltava de uma viagem oficial à China.
Jango tomou posse, mas num primeiro momento teve que se submeter a um parlamentarismo feito nas coxas. O segundo momento foi o trágico golpe, que descaradamente se chamou de revolução. O resto todo mundo sabe, é uma página negra da nossa história, que não pode ser apagada, até porque este é um fantasma que não pára de nos assombrar.
A bola está nos pés do TRE
Os adversários esfregam as mãos e Moro está com o cu na mão. O julgamento do mandado de senador do “Marreco de Maringá” será na semana entrante pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Se for cassado, Sérgio Moro recorrerá ao TSE mas com chances mínimas de reverter a decisão. Se não for cassado, a possibilidade de cair no Tribunal Superior Eleitoral será grande. Seguindo a linha do SE: se for cassado, Moro morre politicamente. Se mantiver o mandado, se fortalece e será candidato forte ao governo do Paraná em 2024. Bem, depois de ter Ratinho Júnior como governador, ter um Moro não é nada impossível.
Pragmático e previsível
Informa Leandro Mazzini em sua coluna na revista Isto É que o deputado licenciado Ricardo Barros tomou café dia desses do Palácio da Alvorada com o presidente Lula. Barris e secretário de Ratinho Jr e segundo especulações, estaria tentando uma aproximação do governador do Paraná com o Palácio do Planalto.
Faz sentido: Barros, todo mundo sabe, está sempre do lado do poder, seja o presidente quem foz, de que matiz ideológico for. Até o final do governo Bolsonaro foi líder do inelegível na Câmara Federal. Antes tinha sido vice líder de Fernando Henrique, vice líder do próprio Lula, da Dilma e ministro de Temer. Agora trabalha para voltar para os braços do petista, ainda que seja esconjurado pelos bolsonaristas. Esse é o Ricardo Barros, que um dia Andre Vargas, então deputado federal do PT, apelidou de Leitão Vesgo”.
Só pelo voto a Venezuela pode resgatar “Punto Fijo”
Até Hugo Chaves vencer Carlos Andres Perez nas urnas, após duas tentativas frustradas de golpe, a Venezuela caminhava para a modernização econômica , sob o respaldo do Pacto de Punto Fijo, que durou exatos 40 anos. Reconheça-se que Chaves conseguiu, meio que na valentona, frear o processo de mericanização de suas reservas petrolíferas, que nada ficam a dever para a Arábia Saudita. Mas enfraqueceu a até então sólida democracia venezuelana, que ficou ainda mais capenga após a morte de Chaves e a ascensão de Nicolás Maduro.
Com Maduro, o quadro econômico e social da Venezuela se degradou, e desde então o povo venezuelano vem comendo o pão que o diabo amassou. Mas, enfim, chegou o momento do mundo civilizado usar seu poder de pressão para evitar que Maduro aplique mais um golpe dentro dos golpes que vem dando desde que assumiu a presidência, sempre com um discurso hipócrita de apreço pela democracia.
Maduro fez tudo para tirar do pleito desse ano a sua principal opositora do momento, María Corina Machado, declarada inelegível. Mas não parou por aí: manobrou para inviabilizar também a substituta , outra Corina, a Yoris. , excluída do pleito após denúncias de bloqueios no sistema de inscrição. Por isso e por muito mais, é que o eleitorado venezuelano precisa mandar de volta pra casa (ou pra cadeia) o ditadorzinho de meia pataca, dando em julho próximo o primeiro passo para a restauração da democracia plena, construída através do pacto de 1958.
Destamparam o bueiro
Marcelo Freixo, que há anos é ameaçado pelas milícias, por causa da sua atuação como deputado estadual e depois federal, disse que a descoberta dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco abriu a tampa do bueiro onde líderes do crime organizado do Rio de Janeiro se escondia do Código Penal.
Dessa forma, o castelo de cartas das milícias cariocas começou a ruir e as tramas e conexões do mundo do crime com a política carioca vai aos poucos sendo colocadas sob os holofotes do país. Uma coisa é certa : não há como negar o notório envolvimento do clã Bolsonaro com milicianos, que disputam com o narcotráfico o ranking das execuções sumárias de pessoas , que de alguma forma, atravessam o caminho dos criminosos. O desenrolar do novelo , que não permite o fim das investigações , ainda vai trazer muitas surpresas. Quem viver, verá.




