Silas Malafaia é apontado como agente provocador, que parece estar querendo ser preso para provocar comoção nacional. Bolsonarista de quatro costados, o dublê de pastor continua atacando as instituições para defender Bolsonaro, de quem já se mostrou viúva. Num vídeo que circula pela internet, Malafaia esculhamba com o ministro Alexandre de Moraes, ao mesmo tempo em que chama de frouxos e covardes os generais do Exército que não foram pra cima do careca do STF. Se é verdade que o peixe morre pela boca, é a língua que pode levar o mercador da fé para a cadeia.
O PTB e o PSD pós-catalepsia
A ressurreição de partidos tradicionais no Brasil é sempre uma agressão à história dos enterrados vivos, por conta de catalepsia. O exemplo mais emblemático, para não dizer dramático, é o do PTB, criado para atrair camadas populares nos centros urbanos na esteira da obra social trabalhista do Estado Novo. Exterminado pelo AI-2, como tantas outra siglas, foi ressuscitado ainda na ditadura pelas mãos do general Goubery, que entregou a sigla à então deputada Ivete Vargas e,pior ainda, teve destino ainda mais triste : acabando nas mãos do escroque Roberto Jeferson.
Agora temos o PSD, que fez dois presidentes da república, Eurico Gaspar Dutra e Juscelino Kubitschek e dois primeiros-ministros – Brochado da Rocha e Tancredo Neves. Foi ressuscitado e hoje atua , ora na direita, ora no centro e ora costeando o alambrado da esquerda, dependendo de quem desse espectro ideológico esteja no poder. Hoje nas mãos do indigitado Gilberto Kassab, foi bolsonarista, flertou com o lulismo e tenta se articular para 2024 , de olho em 2026, sempre embalado pelo patrimonialismo e ao som do samba canção Toma lá- Dá cá. Pobres JK e Getúlio. Devem ter se retorcido nos respectivos túmulos ao verem o PSD e o PTB zombando do povo brasileiro nos balcões de negócio da política brasileira dos nossos dias.
Um fato e duas versões
A falsa: “Membros do MBL são agredidos em prédio da UFPR, em Curitiba”.
. Gazeta do Povo
A verdadeira: “Membros do MBL invadem UFP, agridem funcionária e atacam estudantes com spray de pimenta. Ao final , integrantes do grupo apanharam e foram expulsos da universidade”.
. Revista Fórum
A democracia agradece
Pela primeira vez desde 2019 o 7 de setembro este ano não terá o grito “Deus acima de tudo, o Brasil acima de todos”. Também não terá o discurso de ódio e a hipocrisia do “Deus, pátria e família”. Terá sim manifestações verdadeiras de patriotismo e louvação à democracia.
Índio não quer apito, exige direitos
No governo passado o presidente moveu céus e terras para impor aos povos originários um negócio chamado marco temporal, que agora o STF pode derrubar. É uma tese jurídica que tira dos indígenas o direito sobre as terras que passaram a ocupar depois da promulgação da Constituição de 1988. Na prática, significa negar aos povos originários que ainda vagam pela terra brasílis, o direito a ocupar, de forma oficial e segura, terras devolutas que só nas mãos deles não correrem risco de devastação.
O STF já apresenta um placar de 4 a 2 a favor da rejeição do marco temporal, que é o mínimo que se espera da mais alta corte de justiça do país. A votação será retomada na próxima semana e será acompanhada de perto também pela comunidade internacional. Demarcar terras indígenas é investir na preservação dos nossos biomas, principalmente o maior deles, que é a Amazônia legal. Os índios são os guardiões da floresta e o Brasil precisa que os guardiões da sua Carta Magna os proteja.
A volta do que não deveria ter ido
Está em análise também no Supremo Tribunal Federal a volta da contribuição assistencial dos sindicatos obreiros, surrupiada pelo arremedo de reforma trabalhista aprovada no governo Temer. O resultado foi o desmonte da representação classista. Ao desossar os sindicatos, o então presidente, que na condição de vice conspirou contra a presidente Dilma Roussef, puxou a escada e deixou os trabalhadores brasileiros pendurados na brocha.
Gratidão eterna
Sou eternamente grato aos amigos e leitores que compareceram ao lançamento do meu livro Orelha de Jegue, sexta-feira no CAC, antiga Biblioeca Municipal. O amigo Angelo Rigon , que tem me dado a maior força, lembra, a propósito, que essas duas fotos foram tiradas na Sala de Exposição Lukas, o grande cartunista maringaense que partiu para o andar de cima há 12 anos. Eu e o Moscardi, que juntos editamos a POIS É tivemos a honra de contar com o talento do Lukas na revista que marcou época em Maringá. Na primeira foto estou com o Moscardi e na segunda com minha família – mulher, filhos e nora.
Nova versão do hino
O Secretário de Educação de São Paulo, que foi importado do Paraná, distribuiu material didático para as escolas públicas do Estado governado por Tarcísio de Freitas, informando que a Lei Áurea foi assinada por dom Pedro II. Há quem diga que logo os alunos estarão cantando o Samba do Crioulo Doido, do Stanislaw Ponte Preta, como se fosse o Hino Nacional.
Emoção pra mais de metro
O grande jornalista e poeta A.A. de Assis balançou o meu pobre coração com uma crônica que me deixou muito emocionado. A crônica foi publicada no Jornal do Povo e na página do poetinha no facebook. Assis , que me deu a honra de prestigiar o lançamento do meu segundo livro, fala do ORELHA DE JEGUE e resga elogios, que sei que não mereço, e por isso é fruto da sua infinita generosidade. Muito obrigado, meu grande guru, pela bela e comovente homenagem,
A crônica:
“Messias, um vencedor.
A população de Maringá é formada basicamente por self-made men e self-made women – homens e mulheres que melhoraram seu padrão de vida por esforço próprio.
Pouquíssimos já eram ricos quando chegaram. A grande maioria veio movida pelo sonho de formar um pé-de-meia. Eram empregados, colonos ou pequenos proprietários em outros lugares. Ouviram falar das maravilhas do norte do Paraná e decidiram participar da arrojada aventura.
Com o pouco que tinham, e graças às facilidades oferecidas pela companhia colonizadora, compraram pequenos sítios para formar lavouras ou terrenos urbanos onde construiriam suas moradias, lojas, oficinas, armazéns etc. Em geral progrediram rápido, uns mais, outros menos.
Igualmente bem-sucedidos foram os que chegaram trazendo um diploma de curso superior ou tinham profissão definida – mecânicos, eletricistas, encanadores, motoristas, corretores, e outros mais que, conforme seu grau de escolaridade, facilmente conseguiram emprego.
Difícil mesmo foi a dura situação enfrentada pelos que vieram sem nada. Dembarcavam do trem, da jardineira, do caminhão sem sequer saber onde poderiam dormir e comer alguma coisa. Ficavam numa pensão ou no albergue esperando aparecer alguém que os contratasse como boias-frias para trabalhar em alguma lavoura da região.
Alguns encontravam patrões honestos, que pagavam pouco, mas pagavam, e ofereciam condições razoáveis de trabalho. Porém outros caíam nas mãos de proprietários perversos, que cruelmente exploravam sua mão de obra em regime de quase-escravidão.
O jornalista Messias Mendes, em seu livro recém-lançado “Orelha de jegue”, retrata fielmente o drama das famílias que vieram de longe sem nenhum recurso, na esperança de achar aqui um “eldorado”. Ele próprio, Messias, veio do interior da Bahia ainda bem menino, em companhia dos pais e irmãos. Passou por todo um árduo enredo de sofrimento e luta. Seus pais penaram para sobreviver. Padeceram privações de todo tipo.
Ele, porém, jamais perdeu a garra. Na roça carpiu mato, peneirou café, carregou lenha nas costas. Ao mudar para a cidade, aqui em Maringá, foi engraxate, jornaleiro, vendeu vassouras nas ruas. Até que um dia apareceu pedindo emprego na “Folha do Norte”. Tinha então uns 14 ou 15 anos de idade. Graças à sua simpatia e à firmeza como falava, foi contratado como office-boy da redação. Era o recomeço da sua biografia.
Com apoio da moçada da “Folha”, aprendeu logo a datilografar e aos poucos foi pegando jeito para escrever. Não demorou muito a ser promovido a repórter esportivo, depois repórter de assuntos gerais, e daí por diante nunca mais parou de progredir. Fez dois cursos superiores na UEM, já publicou dois livros e é um dos profissionais mais queridos e respeitados da mídia maringaense. Chegou sem nada. Construiu, por esforço e méritos próprios, uma bela história, ao lado da linda família que aqui formou. Partiu do zero, alcançou alto nível de merecido sucesso. Manoel Messias Mendes, um vencedor. Um legítimo self-made man “.
Delação do coronel bota o capitão na cadeia
Ninguém, nem Michele, sabe mais dos segredos do Bolsonaro nos seus quatro anos de governo do que o coronel Mauro Cid. À beira de um ataque de nervos e orientado por um novo advogado Cid está próximo de uma delação premiada. Isso acontecendo pode fechar a tampa do caixão.