Tomando café com um amigo no balcão da Açucapê, ouvi um cidadão ao lado comparar a intentona fascista, que planejava matar Lula, Alckmin e Moraes, à Intentona Comunista de 1935. Nada a ver, porque esta de agora foi real, com provas consistentes da preparação do golpe que seria antecedido e precedido de um verdadeiro massacre. Aquela era uma revolta de marxistas, apoiados por militares sublevados , contra a ditadura do Estado Novo. Ali não havia qualquer possibilidade de revolução ou contragolpe. No caso presente, era concreta a articulação de um golpe de estado que, em nome de uma falsa liberdade e de um patriotismo cabotino, planejava depor um presidente eleito e promover um banho de sangue no país.
Em comum, havia o discurso do medo do comunismo, que na época aterrorizou a população desinformada e que hoje soa como ridículo, já que só os imbecis acreditam em tal ameaça. Só lembrando que no caso de 35, o clima de medo quanto a uma revolução vermelha, foi criado por um falso plano, o tal Plano Cohen, elaborado pelo chefe da polícia política de Getúlio Vargas, Filinto Müller, para justificar as prisões arbitrárias e a tortura dos prisioneiros. Certamente, a farsa da Intentona Comunista poderia se repetir 87 anos depois, mas como tragédia.