Donald Trump disse hoje em comício na Pensilvânia que “não deveria ter deixado a Casa Branca após a eleição de 2020” e que até hoje não reconhece a vitória de Biden. Isso deixa claro que ele comandou a invasão do Capitólio, tão claro quanto a mão de Bolsonaro na destruição das sedes dos três podres no Brasil em 8 de janeiro de 2023.
Messias
Sobre a saudade
Esta saudade no chão tem folha, flor e raiz
E essa saudade da gente não deixa a gente feliz
Pior é pra quem é mudo que tem saudade e não diz
. Leonardo Bastião (repentista do sertão pernambucano)
Que a indiferença do eleitor sirva de lição
Impressionante, mas o povo anda muito arredio com os políticos. Isso se expressa nos índices de abstenção, votos brancos e nulos nas eleições desse ano, sobretudo no segundo turno. Praticamente um terço dos eleitores ignorou o pleito, não votando em absolutamente ninguém. A título de ilustração e comprovação desse fato, eis alguns números:
Brancos, nulos e abstenção:
São Paulo: 38,67%, Londrina: 36,15%, Curitiba: 35,29%, Porto Alegre: 39,76%.
Um livro necessário
Pode não ser regra mas é difícil acreditar que a PM do Rio de Janeiro seja exceção. Em seu novo livro “Oficiais do Crime”, o jornalista Sérgio Ramalho coloca uma questão crucial, além de inquietante: a de que os novos policiais militares que ingressam na corporação, aprendem como lição número 1, cumprir as ordens dos seus superiores e não a lei. Um militar que o autor entrevistou disse que “a perversão começa na formação do policial” e para este oficial, identificado como Sargento Silva, “ser desonesto é um grande negócio”.
O livro não deve ser objeto de repulsa das cúpulas da PM em todos os estados, mas de reflexão, para que a respeitável e indispensável instituição encare com serenidade o desafio de corrigir rumos, invertendo a lógica dos pequenos obedecer os grandes sem atentar para as leis vigentes.
Com a palavra, o senhor da razão…
Nada contra Fernando Brambilla, que foi prefeito por três vezes de Santa Fé, mas ao que se sabe, nunca exerceu o magistério e nem possui qualquer tipo de especialização na área educacional. Não se trata aqui de questionar a competência do filho de Pedro, por quem, aliás, tenho grande estima, mas de saber que a Educação é uma área mais complexa e sensível da administração pública municipal e que, portanto, exige em seu comando, alguém que conheça do riscado. Fernando é advogado de formação, deve ter sido um bom prefeito, porque não fosse assim, não teria sido eleito três vezes. Mas esse portfólio não é credencial para a pasta que ocupará por nomeação do prefeito eleito de Maringá, Silvio Magalhães Barros II. Silvio, vê em Fernando uma “Experiência Inovadora”. Com toda sinceridade: torço para estar enganado e não terei nenhuma dificuldade de reconhecer lá na frente que me equivoquei. O tempo, já dizia outro Fernando, o Collor, é senhor da razão.
Não confundir SUSP com SUP
A antropóloga Jacqueline Muniz, especialista em segurança pública, adverte: é preciso cuidado para que a PEC proposta pelo presidente Lula, de unificação das forças de segurança do país, não deixe de criar o SUSP (Sistema Único de Segurança Pública) para criar o SUP (Sistema Único Policial). O SUP, segundo Muniz, “aumenta a já grave ingovernabilidade dos meios de força, ampliando o poder de polícia e sua autonomização”. Ou seja, aumentar o poder de polícia no país não é o mesmo que melhorar as condições de combate ao crime, que tem que ter, ao fim e ao cabo, mais investimento na inteligência nas policias Federal, Rodoviária, Civil, Militar e Guardas Civis Municipais, de tal forma que o SUSP ( e não SUP) atue na desmontagem das Orcrins, prevenindo ações criminosas e inibindo a cooptação de jovens pelo tráfico, por exemplo.
Resumo da ópera: “ Em democracias, não se amplia âmbitos e alcances de mandatos policiais sem a delimitação de seus contornos políticos-normativos e procedimentais de atuação e sem o consentimento da sociedade policiada. É a sociedade a proprietária do poder de polícia cuja administração é concedida ao Estado”. Portanto, ao elaborar a PEC, o governo federal e os governadores precisam atentar para esse detalhe.
Arthur, o gênio genioso
Arthur Moreira Lima era um gênio do piano, instrumento que começou a tocar aos 8 anos de idade. Como todo gênio, ele era genioso e tinha tolerância zero com barulhos extras , sobretudo quando executava obras dificílimas como “Estudo transcendental n. 10” de Franz Liszt. Dando certa feita um concerto em Maringá ele se levantou e saiu do palco quando uma criança começou a chorar no colo da mãe. O menino queria mamar e a mãe, percebendo e irritação do pianista, saiu pra fora com o bebê. O silêncio sepulcral trouxe Lima de volta ao parco e o espetáculo continuou, com a criança já amamentada e calada, só escutando. Viva rei Arthur, que agora deve estar no céu mandando ver na Sinfonia número 5, de Beethoven.
Então é assim que se preocupa com a segurança, governador?
A segurança pública, todo mundo sabe, é responsabilidade dos estados e com a criação das guardas civis municipais, passou a ser também dos municípios. Mas a violência está só que cresce, o crime organizado toma conta do país, se imiscuindo até no setor empresarial, como em empresas de ônibus e postos de combustíveis. O problema é sério e o avanço das Orcrins precisa ser contido. Por isso o presidente Lula convocou uma reunião com os governadores para propor a consolidação de um sistema único de segurança pública, que passaria a operar de forma compartilhada pelos ente federativos.
Gostem ou não do Lula, tenham os governadores divergências políticas e ideológicas com Lula ou não, o fato é que a iniciativa foi brilhante e a proposta mais do que oportuna. Porém, alguns governadores de direita, e dois de extrema-direita, como o de Minas e o de Santa Catarina, cagaram para o convite do Palácio do Planalto para a reunião, desrespeitando não o presidente, mas o povo de seus estados. Entre os ausentes está Ratinho Júnior, do Paraná. É assim que pretende resolver o problema da segurança no estado que governa, mister Ratinho? Que posição mais vergonhosa, né não, senhor de todos os queijos?
Terá espaço?
Um leitor comenta em pitaco aqui no blog que “nessas eleições surgiu uma menina de grande futuro político, que vai longe”. Ele se refere à advogada Palomara Silva, que foi vice do Humberto Henrique na disputa pela prefeitura de Maringá. Ele parece sentir-se incomodado com as evidências de que o presidente da Itaipu Binacional, Enio Verri, trabalha pera a campanha do irmão Mario para deputado estadual. A questão é: o PT maringaense não sai do domínio dos irmãos Verri assim como o PP é manobrado pelos Barros, Ricardo sempre à frente.
100 anos da Coluna Prestes
Não, a Coluna Prestes não foi um movimento militarista, apesar de que seus principais líderes, como o próprio Luís Carlos Prestes, serem militares de baixa patente. Tudo começou com a insatisfação com o governo oligárquico de Artur Bernardes na década de 20. A grande marcha, a maior da história da humanidade, teve início em 1924 e foi até 1927. Em dois anos e meio de caminhada, a coluna composta por 1.500 homens percorreu 25 mil quilômetros, atravessando 13 estados brasileiros. No percurso, os comandados de prestes e Miguel Costa iam conquistando simpatia e adesões, inclusive de mulheres, que chegaram a combater ao lado dos revoltosos. A raiz da coluna, claro, está no movimento tenentista, cujo ponto de partida foi o Levante do Forte de Copacabana, em 1922.






