Segunda-feira completa um ano que Lula rejeitou de pronto a sugestão de uma GLO para conter os ataques às sedes dos três poderes. Naturalmente com base em uma obviedade: se fizesse isso, entregaria o poder ao Forte Apache para que os generais contivessem a multidão ensandecida que quebrava tudo no Palácio do Planalto, no Congresso Nacional e no Supremo. Lula avaliou imediatamente que se assinasse o decreto de Garantia da Lei e da Ordem, o comando do país escaparia das suas mãos e cairia nas mãos de generais, a maioria bolsonarista.
Seria dar de bandeja a arma que o ex-presidente Jair Bolsonaro queria para sacramentar o golpe de estado e voltar ao cargo que perdeu nas urnas. Voltaria babando, para promover o banho de sangue que sempre sonhou dar. Basta lembrar uma entrevista que ele concedeu a um canal de televisão quando ainda era deputado, quando manifestou desejo de promover uma guerra civil no país e matar pelo menos 30 mil pessoas, a começar pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Se assinasse a GLO naquele momento, Lula poderia ser abatido ainda quando taxiava para seu governo levantar voo. Esse fato, revelado agora pelo próprio Lula, mostra porque ele é, incontestavelmente, um dos maiores líderes e estrategistas políticos da história da nossa república.
Muitos hão de achar que Getúlio Vargas é insuperável. Mas vamos lembrar que Getúlio não suportou a pressão liderada por Carlos Lacerda para que ele renunciasse e meteu uma bala no próprio peito, saindo da vida para entrar na história. Lula não se quedou ao dublê de Lacerda e chaveiro de Donald Trump, Jair Messias. Não mordeu a isca, como sugeriram seus próprios aliados, inclusive o ministro Flávio Dino, que achou num primeiro momento, ser a GLO saída única para aquele caos institucional.
Passado exatamente um ano e com base em tudo o que a Polícia Federal levantou e já foi divulgado, a gente chega à seguinte conclusão: a vitória de Luís Inácio Lula da Silva foi a vitória da Democracia, que não significou a abertura da porta do paraíso, mas com toda certeza, significou o fechamento da porta do inferno.

