O bugalho vira alho na potencialização da mentira
A tática de insistir em uma mentira para que ela vire verdade, hoje tão potencializada pela direita, não é nova. Vem lá do nazismo, do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, como todos sabem, de tanto que isso foi repetido. O que mais me impressiona é perceber como a direita brasileira copia e cola, sem tirar ou acrescentar uma vírgula, o estilo Donald Trump de mentir. Há no portal UOL de hoje um artigo interessante do correspondente internacional Jamil Chade, que por curiosidade jornalística mergulhou na campanha do republicano, principalmente a partir do absurdo que ele disse no debate com Kamala Harris , de que imigrantes estariam comendo animais de estimação de americanos.
Essa foi apenas uma entre as dezenas , centenas de mentiras que Trump vem lançando nesta campanha, algo muito parecido com o que começou a acontecer na política brasileira em 2018, quando inventaram o kit gay e uma tal mamadeira de piroca, atribuídos à campanha do Haddad, então adversário de Jair Bolsonaro. As mentiras são as fontes que alimentam a realidade paralela, tão danosa ao processo político e à democracia brasileira.
Foi a partir delas que o Brasil começou a desacreditar da vacina durante a pandemia de Covid e a colocar dúvida na cabeça do eleitor sobre a inviolabilidade das urnas eletrônicas, como forma de desacreditar em qualquer resultado que não fosse a vitória de Bolsonaro em 2022. O artigo de Chade é um sinal de alerta para o povo brasileiro, que bombardeado por informações mentirosas nas redes sociais, continua com dificuldade de distinguir alhos de bugalho na hora de votar.
A Sociologia explica
”Quando ajudo as pessoas carentes, as socorro, dando comida e abrigo, sou chamado de santo, mas quando pergunto porque elas são pobres, ai me chamam de comunista”.
Essa reflexão de Dom Helder Câmara vai na direção da análise do sociólogo Jessé de Souza sobre o sequestro do discurso socializante da esquerda pela elite e a direita brasileira, que contam com o auxilio luxuoso de pastores evangélicos. Em alguns púlpitos, fazem o pobre acreditar que ele é lascado porque foi possuído pelo demônio e porque é vitima do comunismo e da falta de fé, que lhe matam os sonhos da prosperidade.
Emendas parlamentares, um escárnio
O Brasil não se atentou ainda para a gravidade do mercado de emendas parlamentares que o ministro do STF Flávio Dino está tentando disciplinar , mas levando muita paulada por exigir transparência no processo de destinação e uso das verbas, distribuídas a parlamentares e por parlamentares pulverizadas em suas bases eleitorais. Não há nada mais abjeto na política brasileira do que isso. Pelo menos 20% do Orçamento da União é sequestrado pelo Congresso , cujo papel constitucional é o de fazer leis e fiscalizar o Executivo, porém jamais se imiscuir na gestão pública.
Antes tínhamos as emendas parlamentares tradicionais e as emendas de bancadas, imorais todavia, porém aceitável sem que a gente precise tomar engove. A partir da presidência da Câmara exercida por Eduardo Cunha, os deputados colocaram uma camisa de força na presidente Dilma, que foi apeada do poder por tentar resistir à pouca vergonha. Hoje surgiram outros tipos de emenda, as tais emendas do relator, que são impositivas, e as emendas pix, que o deputado repassa aos prefeitos de suas bases, sem exigir aplicação em obras necessárias e muito menos prestação de contas.
O problema maior está mais na Câmara dos Deputados, que se antes tinha um Eduardo Cunha da presidência, agora tem um Arthur Lira, o qual tenta dia sim e dia também, colocar o presidente da república de joelhos. Que país aguenta uma classe política como essa? Mas, fazer o que. Melhor é levar a reflexão de Sir Winston Leonard Spencer Churchill ao pé da letra: “A democracia é o pior regime que existe, com exceção de todos os outros”.
Privatização. Eis aí o busílis
“O tempo total de reparo de quedas de energia em São Paulo aumentou 125,6% desde que a Enel assumiu a distribuição de eletricidade na capital, em 2018 até 2023” . É o que aponta matéria do portal UOL (Folha de São Paulo). A questão é essa: privatização de estatais que são estratégicas para o desenvolvimento e a soberania de um município, de um estado e do país. Essa realidade já começou a ser sentida no Paraná onde a outrora eficaz Copel, também aumentou o tempo de reparo de sua rede de distribuição de energia em casos de apagão.
Lembrando Tim Maia
“No Brasil prostituta goza, cafetão sente ciúmes, traficante cheira e pobre vota na direita”
Darcy, mais atual do que nunca
O Brasil tem uma classe dominante infecunda que não produz nada de bom para o país, a não ser concentração de renda perversa e criação de mecanismos que impeçam o nosso desenvolvimento social e cultural.. Neste sentido, temos que considerar que os militares brasileiros, que tem uma função constitucional muito importante,, serviram de instrumento para jogar o país em um túnel escuro que durou 21 anos.
. Darci Ribeiro, em um programa Roda Viva de 1988
Passados 36 anos dessa reflexão , constata-se que a coisa piorou. Nossas elites estão mais infecundas, e infecunda também está a classe média e o espectro político. Lembrando, a propósito do espectro político, que nesse século XXI já tivemos um Bolsonaro e flertamos com o tubo de ensaio de um Pablo Marçal.
Lula fala à Bahia
Vi a entrevista do presidente Lula no programa de rádio do Mário Kertz, ex-prefeito de Salvador. Na verdade, um bate-papo, em que o presidente conta sua história e fala da sua obsessão em erradicar a fome no Brasil, que é absolutamente sincera. Relembrou perrengues da infância e da juventude , quando chegou a morar numa casa que em dia de chuva molhava mais dentro do que fora. Quem viveu situações semelhantes sabe do que Lula estava falando. Foi o meu caso, tempos difíceis que relato no meu livro de memórias Orelha de Jegue. Livro que aliás, chegou às mãos do presidente.
O feitiço vira contra o feiticeiro
A revelação de que o Ministério Público Federal criou na Lava Jato um sistema clandestino de compartilhamento de informações sigilosas apressa a ida da operação comandada por Deltan Dallagnol e Sérgio Moro para o lixo da história. O resultado prático das revelações será o possível cancelamento das delações premiadas, como por exemplo, a do empreiteiro Leo Pinheiro, que serviu de base para que Lula fosse tragado por um triplex e mantido inelegível apesar da inconsistência das provas. Sérgio Moro, o todo poderoso da operação, tirou Lula da disputa em 2018 e depois foi ser ministro de Bolsonaro. Lawfare puro.
Para Boulos, sem luz no fim do túnel
O apagão que deixou São Paulo vários dias sem energia elétrica é atribuído à inoperância do prefeito Ricardo Nunes, principalmente no que diz respeito à poda de árvores. Mas esse fato não parece ter interferido na campanha de segundo turno onde Nunes ultrapassa a barreira dos 50% contra Guilherme Boulos que tem 33% das intenções de voto. Vá entender a cabeça do eleitor!