A disputa entre o candidato do Uniao Brasil e do PT em Camaçari, não região metropolitana de Salvador está mais apertada do que gogó de ema. Pesquisa divulgada terça-feira mostra Flávio Matos (União Brasil) com 50,8 % e Luiz Caetano (PT) com 49,2%. Lula e o governador Jerônimo estarão hoje em Camaçari, de onde ACM Neto e as principais lideranças da direita baiana não arredam pé. O jogo é duro e é jogado e num quadro como esse, nenhuma pessoa, por mais neutra que seja, jogaria suas fichas em A ou em B. Eu, cá a distância, sendo de esquerda porém não petista, tenho o lado afetivo para além da questão ideológica em relação a esse pleito. Flávio é casado com minha sobrinha e afilhada Salma, por quem eu tenho um carinho enorme, do tamanho de Pintadas. Eu torcer por Flávio não faz a menor diferença , a não ser as críticas da patrulha ideológica, que sinceramente, não me incomoda nem um pouco.
A direita se estapeia no Paraná
Ney Leprevost aceitou engoliu Rosângela Moro como sua vice, ancorado na ilusão de que o senador e ex-juiz Sérgio Moro turbinaria sua camoanha a prefeito de Curitiba. Teve no primeiro turno uma votação ridícula . Ora 6,5% pra quem achava que iria bombar é nada. Hoje , Leprevost está convencido que Moro não agrega, só atrapalha. A direita paranaense está de cara com o conge e a conja.
Aliás, Leprevost e Sérgio Moro antam se arranhando em praça pública na capital paranaense. Em resposta a um ataque de Moro, Ney Leprevost emitiu nota, detonando o ex-aliado:
“Em resposta aos ataques rasteiros e injustificados proferidos contra mim, e sem o menor cabimento também a familiar meu, pelo senhor Sérgio Moro , tenho a declarar, após buscar informações com diversas fontes jornalísticas e rememorar fatos, conclui que:
– Este senhor é um traidor contumaz.
– Traiu a magistratura utilizando-se dela para se promover pessoalmente com objetivo de conquistar cargo político.
– Traiu as Leis que jurou cumprir ao realizar tortura psicológica em réus e escutas telefônicas de legalidade questionável.
– Traiu as milhares de pessoas que saíram às ruas para apoiar a operação Lava Jato, abandonando sua função de juiz para ser ministro.
Traiu o partido Podemos que o sustentou financeiramente.
– Traiu o povo do Paraná ao tentar ser candidato a senador pelo estado de São Paulo, onde foi rejeitado pelo Tribunal Eleitoral.
– Traiu seu padrinho político, o senador Álvaro Dias, lançando- se candidato de última hora contra ele.
Diferenças fundamentais
Em geral, um esquerdista vê o pobre, favelado ou morador de rua, de maneira mais humana, mais solidária. Não tem como ele resolver o problema daqueles excluídos do capital, mas ele sente a dor do seu semelhante e luta, com a arma que possui, que é sua concepção de vida, para melhorar o conjunto da sociedade, sobretudo no espaço geográfico onde habita. Ele até presta o socorro emergencial a uma pessoa que esteja em dificuldade extrema mas a sua bandeira é a da partilha, da distribuição de renda, da qualificação profissional, do combate a exclusão.
Quanto ao direitista, ele pensa exatamente o contrário. Acha, a grosso modo que, quem está vivendo na rua é porque não tem coragem de trabalhar, ou se tem, não procurou se qualificar para o mercado de trabalho. Numa visão que considera generosa, mas é turbinada pela hipocrisia, costuma chamar os miseráveis de abandonados pela sorte. Prefiro ficar com a definição do Papa Francisco, que diz: “A pobreza não é fruto do destino, é consequência do egoísmo”. Para o egoísta, se reconciliar com sua consciência é dar esmola. Partilha, distribuição de renda e governar para os pobres, é coisa de comunista, é algo que lhe provoca urticária.
Conselho de pai
“Meu pai dizia que a máquina do estado é pra moer pros graúdos e a gente tinha o dever de mudar essa lógica, fazer com que nosso trabalho é botar essa máquina pra moer todo dia para o pequenininho, pra quem realmente precisa”.
. João Campos, prefeito do Recife, reeleito com 78%
A nova cara da esquerda
O grande jornalista Ricardo Kotscho tem a percepção de que o casal de namorados João Campos e Tabata Amaral representam a nova cara da esquerda brasileira. Ela fez bonito papel no primeiro turno das eleições de São Paulo e Campos, bisneto do lendário Miguel Arraes, se reelegeu prefeito de Recife com uma votação consagradora.
O PT, na sua hora da verdade
O PT procura um discurso para reconquistar o seu eleitorado tradicional, os trabalhadores. Pode ser que encontre em algumas capitais onde disputa o segundo turno e em Camaçari (Bahia), onde o presidente Lula e o governador Jerônimo são aguardados por Caetano para encarar Flávio Matos (União Brasil) e seu grande cabo eleitoral, ACM Neto.
Escrevendo aqui da Zona 7, na 3a. maior cidade paranaense, onde o clã Barros deitou e rolou com o discurso “encantador de serpente” de Silvio, do PP, ora direi: o PT foi um rio que passou pela vida de Maringá, mas cujo coração não se deixou levar.
Então, que assim seja
A candidata Cristina Graeml (PMB), que surpreendeu todos os analistas ao ir para o segundo turno em Curitiba está sendo acusada de montar seu programa de governo através da inteligência artificial. Os indícios são de que 88% do plano não foi escrito por uma pessoa. Só lembrando que Cristina, que foi colunista política da Gazeta do Povo e mais lá atrás, repórter da RPC, estava na Jovem Pan, onde chegou a atribuir as mortes de dois adolescentes que estavam imunizados à vacina contra a Covid.
O que resta então ao eleitor da capital paranaense? Eduardo Pimentel, neto do ex-governador Paulo Pimentel é um jovem, igualmente direitista, mas certamente menos extremista que sua oponente. Até porque se fosse mais, ou mesmo tal e qual, seria o fim da linha para o conservadorismo curitibano. Mas tudo bem, o eleitorado decidiu assim. E, considerando que cada povo tem o governo que merece, que assim seja
Foi há 41 anos
José Richa tomava posse como novo governador do Paraná, o primeiro eleito pelo voto direto após a ditadura militar. Na época eu era delegado em Maringá do Sindicato dos Jornalistas do Paraná e fui entrevistado pela Folha de Londrina sobre o novo tempo que começava ali. Eu nem lembrava mais dessa entrevista e esta semana o colega jornalista e poeta Nilson Monteiro, me mandou o print. Ele encontrou a matéria durante pesquisas de jornais antigos que fazia em uma biblioteca de Curitiba. Como recordar é viver, adorei a surpresa.
Pra não dizer que não falei das flores…
A esquerda viveu recentemente alguns espasmos de sucesso eleitoral em Maringá, uma cidade politicamente conservadora, mas não tão à direita como agora se apresenta. Esta eleição municipal emite um sinal de alerta para o campo progressista, cujas forças submergiram à avalanche bolsonarista e, com a viola no saco, tiveram desempenho ridículo nas eleições majoritárias e proporcionais.
Existe hoje aqui um claro aprofundamento do preconceito ideológico que afetou principalmente o Sul do Brasil a partir de 2018 , com a criminalização da esquerda em geral e a satanização do PT em especial. Fico pensando o que foi feito do mito de cidade universitária, onde o debate político, democrático e minimamente intelectualizado, forjou em passado não muito distante, lideranças como Horácio Racanello, Renato Bernardi e mais lá mais atrás , José Bonifácio e Leonardo Grabois, por exemplo.
A politica maringaense hoje é um pântano, recheado de dirigentes partidários apenas espertos e outros tantos de pouca ou quase nenhuma expressão. O momento , pois, é de reflexão e autocritica . Que o recado das urnas sirva, especialmente ao PT, para que suas lideranças (irmãos Verri à frente) calcem as sandálias da humildade, reconheçam a queda, não desanimem, levantem, sacudam a poeira e deem a volta por cima.
A Faria Lima toca bumbo pra Tarcísio dançar
Nada a ver aqui com o tradicional conceito de classe, mas com o domínio do poder econômico através do poder político. E vamos combinar que a elite brasileira está de olho nas eleições de 2026, porque pra ela o importante é ter um governo nada comprometido com agendas sociais. Com Bolsonaro inelegível, os olhos da Faria Lima mira Tarcísio de Freitas que, tal qual seu padrinho político, tem zero de empatia e um sorriso que não vai além do “sorriso colgate”.
A plataforma de lançamento da candidatura Freitas, o carioca que virou paulista para se tornar governador de São Paulo, é a eleição municipal da Paulicéia. Tarcísio sairá fortalecido com a eventual e quase certa vitória de Nunes para a prefeitura da maior cidade da América Latina. E a população pobre do nosso país, anestesiada pelo discurso da direita, que recebe o auxilio luxuoso de mercadores da fé, pode embarcar em mais uma aventura, como a de 2018. Cabe agora ao campo progressista tomar tenência e trabalhar para evitar mais um desastre social. É simples assim.